Alguns anos depois, o casal que antes era inseparável, foi se conhecendo melhor até que o inevitável aconteceu. A separação foi dolorosa para ambos... Mas um deles sofreu mais. O rejeitado sempre sofre mais.
Edward não conseguia entender como um motivo tão clichê era o real motivo do término. Pensava, repensava, arquitetava em sua mente toda a estrutura do relacionamento e onde poderiam estar os erros. Pedia ajuda aos deuses do Olimpo. Rezava.
Pedia para que nunca mais cruzasse caminhos com ela, mas na verdade, no fundo, queria estar ao lado dela. Mesmo que em pensamento.
Chegou ao cúmulo de tentar negociar com Deus e sua tropa de anjos nús uma visita aos sonhos dela, mas este já estava ocupado com a gigantesca fila de pedidos.
Mas no fundo do coração, sabia que não era culpa dela. Há sentimentos que não podemos controlar.
Depois de dezenas de tentativas, desistiu.
(...)
Após algumas décadas...
O telefone toca (do mesmo jeito que sempre o fez) mas dessa vez, seu soar parecia com o de uma ambulância. Edward atende e então recebe a notícia.
Naomi havia falecido. Acidente de carro.
Edward manteu-se firme, fazendo um enorme esforço para não cambalear. Seus joelhos tremiam, os olhos estavam cheios de lágrimas e a expressão em seu rosto era um misto de raiva e tristeza. Como quem diz "Porque você foi morrer? Você não tinha esse direito!".
Remoeu as dores durante toda a semana. Faltou no trabalho, isolou-se dos amigos e parente,s e até mesmo de sua cadela.
Na noite de domingo, ao deitar-se, lembrou-se de tudo o que haviam passado juntos. Chorou, virou-se para o lado, dormiu... e sonhou. Ah, e recebeu uma visita.
