quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Carta à Arcor

Enviei para o SAC da Arcor. Dramatizei um pouco, só pra dar aquele ~tchãn~.
Olá pessoal da Arcor,
Gostaria de desabafar um momento de frustração com vocês. Hoje, 20/02/2014 saí com minha namorada com o intuito de comer Tortuguitas. Sabe como é, nostalgiar um pouco. Após horas procurando Tortuguitas em diversos estabelecimentos chegamos a conclusão de que não haviam mais Tortuguitas de morango... e queríamos essas mesmo, as de morango. Aquelas que vocês vendiam até uma década atrás. Foi um momento muito triste e chato, compramos do sabor Iogurte e a verdade é que não chegam nem perto do que eram as antigas Tortuguitas de morango. Por que motivo vocês pararam de comercializá-las? Era simplesmente o melhor sabor de Tortuguita! Digo isso pois não só nós dois, mas todos que conheço preferem a raríssima Tortuguita sabor morango, e olha que ela realmente era difícil de se achar! Gostaria de deixar aqui meu descontentamento e avisá-los de que, seja lá quando foi tomada essa decisão, ela foi errada! Peço que reconsiderem e avaliem através de gráficos e tabelas (que vocês devem possuir) o poder de venda da antiga Tortuguita de morango de antigamente com os demais sabores atuais. Ah, e por favor, não vão lá aumentar esse preço, hein.
Obrigado,
Victor Da Fonseca Leão

domingo, 19 de janeiro de 2014

Carta à Tectoy

Escrevi recentemente uma carta para a Tectoy Brasil a respeito do novo modelo de Master System (Evolution) que eles comercializam no país. Ainda estou no aguardo da resposta, mas segue a carta abaixo:

Olá, pessoal da Tectoy,
Venho por meio deste comunicá-los sobre uma decisão tomada por vocês que, creio eu, foi inconveniente e me deixou extremamente frustrado. Sou um colecionador de videogames com mais de 20 anos de estudo da indústria (tanto internacional quanto nacional) e venho acompanhando a trajetória da Tectoy através anos, sempre consumindo produtos da marca. Sobretudo consoles.
No entanto, na minha última ida à uma loja de um dos shoppings de minha cidade (sou de Belo Horizonte, MG) deparei-me com o novo modelo de Master System que vocês comercializam (Master System Evolution). A princípio, tudo parece uma maravilha. 132 jogos na memória, design bacaninha (mas ao mesmo tempo meio "retrô" com aquela arte do Sonic da década de 80/90) e um preço acessível comparado aos consoles de nova geração. Mas o produto de vocês tinha uma falha que não pode ser evitada, não importava qual o ângulo eu tentasse enxergar: Não possuia entrada para cartuchos.
Eu pensei comigo mesmo: "Bom, já que não há um slot de cartuchos, eles devem ter colocado todos os melhores jogos de Master System já na memória, né?". Fui conferir o verso da caixa e vi alguns títulos bons, tais como Sonic The Hedgehog, Golden Axe, Alex Kidd e até o "underrated" Fantasy Zone. Bons jogos. Mas faltam uma infinidade de bons títulos para a coletânea, que foi preenchida em sua maioria (algo em torno dos 70%) com jogos péssimos, de qualidade bastante inferior, mal programados e, sinceramente, ofensivos ao intelecto do jogador independentemente da idade. Não fazem jus ao nome da Tectoy nem à SEGA. Cito abertamente, aqui, a coletânea "20 em 1" que vocês incluíram no console, um título horroroso. O que acontece caso eu queira jogar algum dos diversos títulos (diga-se de passagem, bem melhores) que o Master System oferece e que não estão na coletânea? Sonic The Hedgehog 2, Castle Of Illusion, Wonder Boy 2 e Phantasy Star são só alguns dos muitos exemplos de jogos que ficaram de fora e foram substituídos por títulos extremamente inferiores.
Vocês excluíram a melhor possibilidade que todo o colecionador (ou jogador casual) tem; a de poder ter o cartucho em mãos e jogá-lo; a de se ter opções de escolha. A parte mais divertida e recompensante de se procurar por jogos e cartuchos antigos é poder jogá-los no console. Como se fosse uma pequena viagem no tempo de volta para a década de 80, no caso. E antes que me digam que os cartuchos não são mais comercializados, convido-os à fazer breves buscas no Mercado Livre, Ebay, Facebook, ou quem sabe até mesmo visitar a feira de usados/ mercado de pulgas mais próxima(o). Vão se impressionar com a quantidade de cartuchos que encontrarão por lá.
Eu compreendo que adquirir os direitos para publicação de jogos já embutidos no sistema deve ser algo complexo, mas pelo menos deem-me a chance de poder escolher algo de qualidade para jogar, e não ficar preso à jogos de qualidade duvidosa, pois hora ou outra os bons títulos da coletânea se extinguirão e não haverá nada de qualidade para se jogar.
Espero, de coração, que vocês voltem atrás com essa decisão e percebam que o público procura por variedade e retrocompatibilidade. Portanto, na próxima edição do Master System (ou quem sabe na montagem das próximas unidades) tenham certeza de não estarem cometendo o mesmo erro.
Agradeço pela atenção e desejo sorte,
Victor Da Fonseca Leão

terça-feira, 19 de março de 2013

Fila de Espera

- Então quer dizer que temos de enfrentar toda essa fila?
- Exatamente.
- E qual seu número?
- 130.784.204.
- É. Estou alguns bons números atrás de você. Zona?
- BRSMGBH-506.
A minha é BRSSP2-507, mas por algum motivo, a sua me soa familiar. Acho que, passando o olho pelo Diário do Amanhã, vi esse destino aí.
- É. Tem muita gente indo pra essa região. No meu caso, só estou de passagem.
- Como você sabe?
- O cabeludão me disse que tinha um propósito especial para mim, mas não consegui entender uma palavra do que ele disse com todo aquele linguajar rebuscado dele. Me disse que eu teria uma irmã, mas não sei se vou poder ficar por lá pra cuidar dela.
- Entendo.
- Pois é.


(...)


- Tem algo que eu possa fazer por você?
- Eu gostaria que alguém tomasse conta da minha irmãzinha por mim, caso eu não esteja por perto. Seria eternamente grato e retribuiria assim que nos encontrássemos novamente.
- Ficaria muito feliz em poder ajudá-lo. Pode contar comigo. Sua irmã estará em boas mãos.
- Muitíssimo obrigado, amigo.
- De nada, meu caro. A propósito, desculpe minha falta de educação. Sou Victor, prazer em conhecê-lo.
- O prazer é meu, chará.

sábado, 16 de março de 2013

The Helpless Princess

   Once upon a time there was a brave, handsome, polite knight who was supposed to rescue the princess from the depths of the dark dungeons. She was kidnapped by some kind of mysterious kidnapper who trapped her in a pitch black cell. Although, the kidnapper wasn't there anymore, but the princess had scars from what happened to her and because of that she couldn't keep going with her life. So she chose to live in the cell for the rest of her life.
   After a week riding on his horse, the brave knight reaches the dungeon.
   He walked close to the door, knocked three times and waited for an response.
- Who's there?
- It is I, Leon Von Hildegard, the brave fencer! I came to rescue you, princess.
- I don't wanna leave. I don't wanna get hurt again.
- Don't say that, lady. Things are different now, just try to look from outside the window. The sun is bright, the grass is green like it never was before... Your kingdom has prospered!
- I don't care. I rather stay here than trust someone else again. The last man who tried to help me broke my heart and kept me trapped in this very cell. Besides, I'm already used to it. It's easier to stay that way.
- What about if I tell you that there's somebody out there that you can trust and will be always by your side?
- There's no such thing. And who might be the one?
- It is me, princess. I came here every single week to check if you're okay and you don't even remember me. All this time I've been telling you that this deep, dark dungeon is just a product of your mind toying with you. You're very close to the exit, but you're the only one who just doesn't seem to notice it, and that's why I'm here to help.
- But I'm not sure if I can trust someone else again.
- Don't worry. Just get out of here and let me teach you how to live again.

Ladrão de Conhecimento

   Wellerson teve a má sorte de nascer no corpo de um menino de rua. Desde criança apresentava traços de uma inteligência fora do comum, mesmo sem ter educação formal. A mãe morava debaixo do viaduto, o pai saía por aí coletando latinhas e os três irmãos estavam envolvidos com o tráfico de drogas. Mas não ele. Recusava-se a cometer crimes que prejudicassem o outro. Por isso sempre era julgado pelo resto da família. Por ser diferente.
   O único crime que cometia, de fato, era o roubo... roubava materiais didáticos dos mais diversos, e aventurava-se lendo livros de física e matemática debaixo da ponte, e sabia exatamente como usar tal conhecimento para planejar melhores e mais eficientes roubos.
   Calculava o ângulo e o ponto mais alto da trajetória que a pedra faria antes de acertar a mochila do playboyzinho que saía da escola, a velocidade média que teria de fazer num determinado perímetro do quarteirão para que pudesse escapar ser correr o risco de ser pêgo.
Sabia do relevo de morros da cidade, e por isso levava em conta a topografia do local em suas rotas de fuga. Tinha conhecimento de materiais que eram isolantes térmicos e (roubava-os e) usava-os para construir pequenos abrigos para sua família, acendia fogo com dois galhos secos como ninguém, conhecia processos simples de filtração de água, doenças que poderiam potencialmente afetá-lo e à sua família e como evitá-las... E tudo isso sem nem ter pisado numa sala de aula.
   Aos dezoito anos de idade surpreendeu a toda uma sociedade quando foi aprovado em primeiro lugar na maior universidade do país. Foi notícia de jornais, revistas, programas de televisão e de rádio. 
   Infelizmente, seus irmãos não tiveram tanta sorte. Todos faleceram em confrontos com policiais.
   Seus pais agora têm uma humilde casa no subúrbio. Nada de extraordinário, mas foi o que o trabalho duro deles durante toda uma vida pôde comprar.
   Wellerson, por outro lado, formou-se e hoje leciona física quântica em Harvard. É bem casado, tem dois filhos e vive uma vida feliz e repleta de fartura.

Ah, Wellerson. Gostaria que existissem mais "pivetes" como você.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Roma

Até hoje, nos meus sonhos mais profundos e obscuros, consigo me lembrar de você e todo aquele tempo que passamos juntos, e o quão tudo aquilo significou para mim. 
São memórias que não se apagam, de momentos tão terríveis e desconfortantes que só de moldar-te em minha mente já me dá arrepios. Alta, olhos claros que pareciam penetrar cada canto do meu consciente, longos cabelos loiros, paciente ao ponto de ser perturbadora, extremamente dependente e fria. Tão fria até as flores que eu te dei implodiram quando lhe entreguei.
Sinto falta de você sendo mesquinha. De você sendo você, mesmo com todas suas qualidades.
Posso até ser um bom escritor, como de fato sou. Mas a única coisa que realmente importa é a maneira com que guardamos tudo o que sentimos, não importa o quão bom seja. E pelo menos nesse quesito não sou nem um pouco realizado.
Talvez, num outro tempo, numa outra vida, a gente se decifre.

(...)

Quer dizer, isso se você se deixar ser decifrada.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Pedido

   Edward vivia feliz ao lado de Naomi. Os dois se conheceram no ensino médio. Eram jovens, impacientes, e não sabiam o que queriam da vida... Só tinham certeza de que foram feitos um para o outro. Pelo menos ali, naquele momento.

   Alguns anos depois, o casal que antes era inseparável, foi se conhecendo melhor até que o inevitável aconteceu. A separação foi dolorosa para ambos... Mas um deles sofreu mais. O rejeitado sempre sofre mais.

   Edward não conseguia entender como um motivo tão clichê era o real motivo do término. Pensava, repensava, arquitetava em sua mente toda a estrutura do relacionamento e onde poderiam estar os erros. Pedia ajuda aos deuses do Olimpo. Rezava.

   Pedia para que nunca mais cruzasse caminhos com ela, mas na verdade, no fundo, queria estar ao lado dela. Mesmo que em pensamento.

   Chegou ao cúmulo de tentar negociar com Deus e sua tropa de anjos nús uma visita aos sonhos dela, mas este já estava ocupado com a gigantesca fila de pedidos.

   Mas no fundo do coração, sabia que não era culpa dela. Há sentimentos que não podemos controlar.

  Depois de dezenas de tentativas, desistiu.
 
(...)

   Após algumas décadas...

   O telefone toca (do mesmo jeito que sempre o fez) mas dessa vez, seu soar parecia com o de uma ambulância. Edward atende e então recebe a notícia.

   Naomi havia falecido. Acidente de carro.

   Edward manteu-se firme, fazendo um enorme esforço para não cambalear. Seus joelhos tremiam, os olhos estavam cheios de lágrimas e a expressão em seu rosto era um misto de raiva e tristeza. Como quem diz "Porque você foi morrer? Você não tinha esse direito!".

   Remoeu as dores durante toda a semana. Faltou no trabalho, isolou-se dos amigos e parente,s e até mesmo de sua cadela.

   Na noite de domingo, ao deitar-se, lembrou-se de tudo o que haviam passado juntos. Chorou, virou-se para o lado, dormiu... e sonhou. Ah, e recebeu uma visita.